13 maio 2012

Olhos e cilios


Não há quem não feche os olhos ao cantar
a música favorita. Não há quem não feche
os olhos ao beijar, não há quem não feche
os olhos ao abraçar. Fechamos os olhos
para garantir a memória da memória.
É ali que a vida entra e perdura, naquela
escuridão mínima, no avesso das pálpebras.
Concentramo-nos para segurar a dispersão,
para segurar a barca ao calor do remo.
O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio.
Os cílios se mexem como pedais da memória
Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível.

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